quarta-feira, 27 de maio de 2009

Como pode?


Como pode em um mesmo lugar
Haver tantas diferenças?
Tudo acontece ao mesmo tempo
Tudo acontece o tempo todo

É estranho e também normal
Vermos tudo aquilo acontecer
Parece que estamos acostumados
Com o caos que vamos ver

E é nessa Avenida
Que uma barreira se forma
As diferenças se cruzam
Mas cada um tem sua história

O que precisamos é de um
Pouco de consciência e solidariedade
Para que renove a esperança
Nos olhos de uma humanidade

Terno e gravata se misturam
Com aqueles que nem um
Calçado possuem.... e nós nos
Perguntamos Como pode como pode?

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Riso



Segue abaixo um texto poético realizado a partir da observação da foto de Sebastião Salgado.



Enquanto alguns caminham
em busca de algo melhor
Outros simplesmente os ignoram
rindo sabendo que pode ser pior



sábado, 28 de março de 2009

Resenha do livro: ''O que é ideologia'', Marilena Chauí


Irei fazer uma resenha do livro “O que é ideologia” da autora Marilena Chauí, Editora Brasiliense. O livro é dividido em três partes: Partindo de alguns exemplos, Histórico do Termo, A Concepção Marxista de Ideologia; no qual Marilena Chaui procura dar ênfase mais profunda ao assunto da ideologia, mostrando também a concepção que outros pensadores tinham sobre o tema.
Para os filósofos gregos, movimento era qualquer alteração da realidade, seja ela qual for. Com base nisso, Aristóteles elaborou a teoria das quatro causas. Era uma tentativa para dar explicação ao problema dos movimentos. Então, as diferentes relações entre as quatro causas explicam tudo que existe, o modo como existe e se altera, e o fim ou motivo para o qual existe.
O trabalho era colocado como um elemento casual secundário e inferior, por Aristóteles. A ideologia tem como traço usar as idéias como independentes da realidade teórica e histórica. Ao elaborar sua teoria, o teórico julga estar produzindo idéias verdadeiras. O ideólogo seria então aquele que inverte as relações entre as idéias e o real. No plano da metafísica é conservada a causa final, pois esta se refere à ação dos homens se relacionando entre si e com a natureza.
O processo histórico não é sucessão de fatos no tempo, não é progresso das idéias, mas o modo como homens reais criaram os meios e formas reais para a sua existência social. No entanto, tende a esconder dos homens o modo real de como suas relações sociais foram produzidas. A isso se dá o nome de ideologia. O termo ideologia surgiu pela primeira vez em 1801, designando-se inicialmente de ciência natural da aquisição, daí por diante, um sistema de idéias condenadas a desconhecer sua relação com o real. A ideologia, enquanto teoria passa a ter um papel de comando sobre a prática dos homens, que devem submeter-se aos critérios e mandamentos do teórico antes de agir.
A nova sociedade não é constituída apenas pelos burgueses, mais ainda por outro homem, o trabalhador livre. Trabalhador livre em um sentido duplo. É graças a essa contradição que a autora dedica mais da metade do livro para abordar o que Karl Marx entendia por ideologia. A produção das idéias e as condições sociais e históricas não são separadas por Marx. Ele demonstra, também, que a contradição não é a das idéias, mas sim, contradição entre homens reais em condições históricas e social real chamada luta de classe (na qual acontece há muito tempo no mundo inteiro, causando uma grande disputa entre as pessoas). É através das classes sociais que a sociedade civil nega o indivíduo isolado e o indivíduo como membro da família. O trabalho não pago (mais-valia) é a origem do capital. Há uma contradição na medida em que a realidade do capital é a negação do trabalho.
Uma das grandes idéias da ideologia é a da sociedade civil concebida como um indivíduo coletivo, visando ocultar a realidade da sociedade civil que é a luta de classes; a luta de classes é o quotidiano da sociedade civil. O processo no qual as atividades humanas começam a se realizar como se fossem autônomas ou independentes dos homens é chamada de alienação. As idéias aparecem como entidades autônomas descobertas por homens determinados, e não como produtos do pensamento de tais homens.
Um instrumento de poder da ideologia é a dominação e as formas de luta de classes. A ideologia é um dos meios usados pelos dominantes para exercer a dominação, fazendo com que esta não seja percebida como tal pelos dominados, é uma transformação das idéias da classe dominante em idéias dominantes para a sociedade como um todo. Essa resulta da prática social, nasce da atividade social dos homens no momento em que estes representam para si mesmos essa atividade. Portanto, a ideologia é um instrumento de junção de classe.
Por conseguinte, o livro ‘O que é ideologia’ que explica claramente o que é ideologia. Fácil de ler e bem direto. Marilena Chauí detalha cada parte, desde o surgimento da palavra ideologia, assim, até quem domina o assunto, consegue entender o que ela quer passar.